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Um assunto que gosto de procurar às vezes nas minhas andanças pela Internet são as reconstruções de prédios antigos.
E um dos países em que isso tem acontecido com mais frequência é a Alemanha, onde de um tempos para cá surgiu uma onda de reconstruções dos símbolos urbanos que foram danificados ou destruídos durante a II Guerra Mundial, principalmente na metade leste, que ficou estagnada por mais de 40 anos de regime comunista.
Acho que os casos mais conhecidos desse tipo de “renascimento/volta às origens” se encontram na nova-velha capital alemã, Berlim, que virou um canteiro de obras nos anos 90 e de onde tem surgido edifícios como o Novo Reichstag, sede atual do parlamento alemão.
Mas acabei achando uma obra que me chamou atenção pela sua história: é a reconstrução da Igreja de Nossa Senhora (Frauenkirche) de Dresden, ex-cidade da Alemanha Oriental. Essa igreja que tinha sido construída no século 18 acabou se tornando um marco e um ponto de referência para a cidade por seu tamanho e pela imponência do estilo barroco de sua arquitetura.
Mas veio a II Guerra Mundial, e com ela, um selvagem ataque aéreo na noite de 13 de fevereiro de 1945 que destruiu a cidade em chamas e bombas. E a igreja não resistiu. Dela só sobraram escombros, tijolos e uns pedaços de parede enegrecidos pela fumaça. Mesmo assim, os habitantes da cidade sempre recusaram as intenções do governo comunista de remover os restos da igreja para fazer um estacionamento ou algo do tipo no lugar, que acabou se tornando uma espécie de espaço simbólico de lembrança dos horrores da devastação da guerra.
Com a reunificação, surgiu a proposta de refazer o centro de Dresden de acordo com o forma que ele tinha no período pré-guerra. A Frauenkirche foi incluída dentro desse plano, e ela começou a ser reconstruída em 1994.
Nesta obra, que ainda está em curso e provavelmente deve ser concluída em 2006, estão sendo usados as paredes, pedras e tijolos que fizeram parte da antiga igreja (em tom geralmente próximo ao preto), com os novos materiais usados, em tom mais claro. A planta original está sendo seguida à risca, mas ainda assim ficará claro no contraste entre os tijolos a diferença entre o passado e o presente.
E como forma de “perdão moral”, britânicos e norte-americanos têm sido os principais financiadores da obra.