26 de agosto de 2001

Quando vejo as enchentes na Marginal do Rio Tietê que ocorrem caso chovam mais de 10 minutos na cidade de São Paulo, já vejo um pouquinho da vingança de Gaia contra aqueles que acham que rio e esgoto são a mesma coisa…
Mario, eu não quis dizer no meu post sobre vegetarianos/onívoros que o homem tem prioridade total na biosfera. Se estivesse afirmando isso, estaria apertando as mãos de todos aqueles que estão se lixando para o planeta e estão o poluindo e destruindo sem consciência. O que eu quis dizer é que o Homo sapiens deve ser a prioridade do próprio Homo sapiens.

Para ser mais claro, vou dar um exemplo: muitos destes defensores aguerridos dos direitos animais querem proibir que sejam realizados experimentos científicos com qualquer tipo de cobaia. Para isso, alguns já fizeram protestos diante de laboratórios, enquanto outros foram mais longe, fazendo atentados a bomba ou ameaçando cientistas de morte.

Estes radicais afirmam que os experimentos deveriam ser feitos na forma de testes teóricos ou, caso não fosse possível, ser feitos em cobaias humanas. E é aí que mora a incoerência: colocar em risco a vida de um rato ou de um coelho não pode, mas a de um ser humano pode?

Na minha opinião, por mais que a vida de um animal tenha valor, a vida de um ser humano vai sempre ter um valor superior. Sim, eu estou de acordo em diminuir o sofrimento dos animais o máximo possível, mas sem o uso de cobaias a Medicina não teria evoluído ao nível em que ela está hoje, e se este tipo de experimento fosse parado, certamente sua evolução ficaria bastante comprometida, e várias vidas humanas deixariam de ser salvas.

Eu acredito que possa haver um equilíbrio razoável entre civilização humana e meio ambiente, para o bem da Terra e da própria humanidade em si. Deixar toda a natureza intocável e pura é absolutamente impossível, mas deve-se buscar uma forma de convívio que possa mantê-la funcionando bem, ao mesmo tempo em que o próprio ser humano deve(ria) buscar seu aperfeiçoamento, não sua auto-destruição.

24 de agosto de 2001

É engraçado na hora do almoço ver dois fluxos de gente se encontrando na rua: de um lado, os adolescentes ripongas do Colégio Equipe e de outro, os jovens engravatados do Unibanco...
Os gatos se tornaram domésticos há menos tempo: há aproximadamente 10.000 anos atrás, o homem descobriu técnicas para a agricultura de grãos como o arroz e o trigo. Os estoques de grãos colhidos atraíam uma grande quantidade de roedores, principalmente os ratos, que por sua vez, também trouxeram para perto das aldeias seus predadores, os gatos selvagens. Descobrindo a relação entre o surgimento de ratos e gatos, o homem passou a domesticar estes justamente para manter a colheita o menos prejudicada possível.
Você sabe como o cães surgiram? Na pré-história, as tribos caçavam os mesmos animais que o lobos comiam: bisões, veados, antílopes, cavalos, etc. Como consequência, grupos de lobos passaram a seguir estas tribos, para aproveitar as eventuais sobras da carne de caça. A partir daí, desenvolveu-se uma relação de mutualismo, e num certo momento (mais ou menos 100.000 anos a.C.) os lobos, que eram vistos como inimigos, começaram a ser domesticados.

Pois é, há uma longa história atrás daquela madame de casaco de chinchila que passeia com seu yorkshire...
A Web é o maior espaço já inventado para a divulgação e articulação dos mais variados movimentos políticos e ideológicos.

Um deles é o de proteção dos animais, que é ramificado em várias correntes com várias campanhas e opiniões diferentes. Existem aqueles que lutam para preservar animais raríssimos da extinção, como o Kakapo da Nova Zelândia. Existem aqueles que querm acabar com torturas inúteis de animais, como o caso da Farra do Boi de Santa Catarina. Nada mais justo.

E há os radicais. Um dos exemplos mais claros que me vem à cabeça agora é o norte-americano PETA. Acho até que lutar contra o sofrimento dos animais pode ser louvável. Ser vegetariano por uma questão de consciência, tudo bem, eu não seria, mas respeito. Agora, fazer propaganda de intolerância e discriminação contra as outras pessoas que são onívoras (que tanto comem produtos de origem animal ou vegetal) por convicção e usam artefatos de origem animal, como o couro, ou ainda usar de terrorismo babaca (pixar casacos de pele) ou violento (explodir granjas e fazendas) para impor suas idéias é algo inadimissível na minha opinião.

Quanto aos vegetarianos, a posiçao deles é coerente de um ponto de vista, mas de outro é totalmente incompatível com a evolução da sociedade humana.

Eu explico: há mais ou menos 10 milhões da anos atrás, viviam macacos sem rabo que habitavam as florestas da África. Mas num determinado momento, uma região conhecida hoje como o "chifre" da África passou a sofrer um processo de desertificação/savanização. O que era floresta virou chão seco, e a fauna original que não foi extinta teve que se adaptar. Macacos sem rabo até hoje se alimentam de frutas e folhas, algo escasso em climas secos. O que aconteceu a partir isso foi que os que sobraram tiveram que, além de enferentar predadores que os viam mais facilmente em campo aberto, aprender a comer outros bichos. Foi a partir do desenvolvimento de instrumentos e técnicas de caça que a evolução humana começou.

É duro admitir isso para nós mesmos, mas o macaco sem rabo começou a evoluir para o homem a partir de quando aprendeu a matar. Quem tem um conhecimento razoável de arqueologia ou asssitiu ao Filme "2001" sabe do que estou falando.

Outra coisa: os que hoje picham casacos de pele podem não saber que seus antepassados pré-históricos sobreviveram graças às peles de animais que eles usaram para escapar da morte por congelamento no período das glaciações, quando a temperatura da Terra caiu a um ponto de tornar a Europa fria e coberta de gelo como o Pólo Norte atual.

Não estou falando que matar é bacana, tanto que jamais sequer machuquei (nem deixei machucar) as várias galinhas e patos que já tive como animais de estimação, até mesmo por eu ter afeto por eles. O que eu falo é que diante de uma necessidade de sobrevivência, às vezes matar é necessário. E que devemos respeitar as outras espécies, mas nunca deixar de priorizar a espécie a qual pertencemos.
Meu, ficam incensando esse tal de Marcos Mion como o Novo Salvador da Televisão Aberta Brasileira...
Mas por que será que eu não consigo enxergar nada disso nele?
Manhã de sexta-feira. Eu estou aqui na empresa. Num carro lá fora toca "Purple Rain", do Prince.
São 9:44h.
It´s Friday, but I´m not in love.

23 de agosto de 2001

É impressionante o número de pessoas que chegam a este blog procurando por Daniela Cicarelli.
Hélio Schwartsman mais uma vez manda muito bem em seu artigo falando da grande besteira que é dar ensino religioso em escolas estaduais, algo que acaba de ser regulamentado pelo governo do estado de São Paulo.

Está mais ou menos na cara que as aulas não vão ser de religião (até porque "ensinar religião/religiosidade" num aspecto genérico é na minha opinião algo impossível), e sim de cristianismo. E os judeus, muçulmanos, espíritas, umbandistas, ateus, como ficam?

Outra coisa: com as milionárias igrejas evangélicas neo-pentecostais querendo nacos cada vez maiores de poder, quem não diz que elas irão usar sua astúcia para implantar seus agentes dentro destas escolas estatais que geralmente atendem à imensa maioria pobre e carente?
Do jeito que agora as ligações internacionais aqui no Brasil estão baratas, suspeito que esta pobre mulher possa receber muitos trotes...hehehe
Nemo Nox relembra "Here Comes The Rain Again", dos Eurythmics. Adoro essa música, tanto que ela é um dos poucos hits de FM do qual eu tenho versão MP3 no HD do meu PC.
Meu, o que está acontecendo que o Blogger só decidiu colocar link para apenas uma parte dos meus arquivos?
Um tormento: ter que ficar na quarta-feira zapeando freneticamente entre o MTV Erótica e o Vitrine...
Legal a resposta do Tom-B a uma pergunta feita pelo NovaE:

"(...)Qual seria a ilustração que resumisse a realidade brasileira?

TOM-B - Avestruz com a cabeça na areia. Simboliza não só o governo, mas também toda a oposição e todos aqueles que confundem reclamar com apontar caminhos."

21 de agosto de 2001

Robert Smith, vocalista do The Cure, além de ser um grande músico e compositor, é um cara de que tem muito bom gosto. Um fator acaba se relacionando ao outro...

20 de agosto de 2001

Jean Boëchat cai na Folia.
Quando eu leio textos como esse (infelizmente acessível apenas para quem assina a Folha ou o UOL), sinto uma grande vontade de mandar as gravadoras para o inferno.

Malditas. Querem tratar as pessoas que gostam de música como gansos de granja que têm um funil enfiado na goela para receber comida.
Ah, Giza...
Para pensar: do blog Criminal, dia 23/07/2001:

"Se você parar pra pensar, verá o quanto nossas regrinhas e aspirações navegam contra a natureza humana (a instintiva, "irracional", negada). Hoje acordei pensando como essa coisa de horário rígido na empresa (9-às-6, todo dia) é improdutiva. Eu, por exemplo, trabalharia muito melhor em qualquer horário, na minha casa, sentado no meu computador, ouvindo meus CDs. Mas não posso fazer isso. Quer dizer, posso fazer espontaneamente, mas não tenho vontade. Por que? Bom, se tenho de trabalhar todos os dias de 9 às 6, depois desse horário meu inconsciente aciona um dispositivo que simplesmente "trava" e exatamente às 18h01 minha cabeça implora por vida de verdade: cheiros, pessoas, ar. Conte aí nos seus dedinhos: você dorme uma média de oito horas por dia, trabalha outras dez... e o restante? Bom, no restante você descansa (ie, você fica à espera de mais uma jornada). Não consigo entender as pessoas que passam a vida se dedicando ao trabalho, obcecadas em construir algo, deixar um legado. Putz, fodam-se! E a vida? Ninguém vive mais nesse mundo, as pessoas só pensam em engordar suas poupanças, comprar um casarão, ter dois filhos, uma van e satisfazer seus egos de merda! Mesmo que isso lhes custe uma trajetória inteira entre quatro paredes assépticas."