4 de maio de 2026
4 de maio de 2021
Foi meu último dia de internação no hospital, depois de um período de umas duas semanas. Hora de voltar para casa.
Me deram as roupas que minha mãe havia providenciado para eu me vestir. Foi uma tarde tranquila, já conseguia respirar sem oxigênio e caminhar vagarosamente pelo quarto.
Chegou o início da noite. Minha mãe e irmã chegam. Sou retirado do hospital de cadeira de rodas, por segurança e por eu ainda ter pouca capacidade de andar. Agradecemos à equipe, aos recepcionistas, e entramos no Uber.
No caminho de volta, vou conversando com minha mãe sobre todo aquele período, sobre como ela se surpreendeu com o nível de gravidade tão repentina do meu caso, do que sofremos depois, e do quanto era bom finalmente se ver ao vivo depois desse tempo todo de angústia afastada (lembrem-se, na pandemia visitas e contatos pessoais não eram permitidos).
Conforme o carro ia se aproximando de casa, entramos no bairro do Bixiga. As luzes das casas e estabelecimentos me davam uma alegria repentina de ver, uma coisa de criança olhando um lugar pela primeira vez.
Chegamos em casa, estouramos os balões que tinham sido colocados na sala. Era a noite da final do BBB21, ao qual eu havia acompanhado na reta final a partir das TVs do hospital.
Mas antes disso, o Jornal Nacional anuncia o agravamento e depois a morte de Paulo Gustavo, também por Covid. Aquilo me bateu forte, pois ele havia sido internado num contexto parecido com o meu de uma certa forma, e mesmo assim se foi, novo ainda.
Mais tarde, quando a final começou e a pizza de Margherita que pedimos chegou, fui comendo, assistindo a TV e com uma sensação estranha de alegria de por um lado de ter sobrevivido e voltado pra casa, e por outro lado tristeza por saber que tantos outros em situação semelhante à minha não tiveram a mesma sorte.
5 anos. Eu não vou me esquecer de nada.
Que a Força esteja comigo.
24 de abril de 2026
24 de abril de 2021
Na madrugada, eu depois de passar um dia todo com os números de oxigenação baixos, decidi reunir minhas últimas forças para tomar um banho, me vestir e chamar um Uber para ir para o hospital.
Minha mãe, assistindo um filme na sala, achava que era exagero meu, mas eu sabia que não era. Não tinha tempo para contra-argumentar, tive que ir.
Peguei o carro. No caminho abaixei a janela e a máscara do meu rosto para ver se eu conseguia respirar mais ar.
Chegando no hospital, eu já estava sufocando. Tentando evitar que eu colapsasse no chão, uma enfermeira me empurrou pelas costas para o quarto mais próximo, onde eu deitei num divã. Me colocaram uma máscara de oxigênio.
Era o início do meu período de internação pir Covid-19, de onde eu só sairia em 4 de maio.
19 de abril de 2026
18 de abril de 2021
Era uma noite de domingo, como essa.
Sou diagnosticado com Covid-19 num teste que fiz na Drogaria São Paulo, na Pamplona, perto do antigo DJ Club.
Eu já suspeitava estar contaminado, mas receber a confirmação foi um baque de qualquer forma.
Sentei na calçada, exausto. Tive que pedir um Uber para voltar pra casa, porque já estava me sentindo enfraquecido demais para fazer a caminhada pelas ruas vazias de volta pra casa.
Eu ia passar mais uns dias tentando lidar com a doença em casa, até que chegou um ponto que não deu mais e tive que me internar.
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